ouvidos para a música

Ciclo de apreciação musical | 26 SET, 3, 10, 17, 23 OUT 2018 | 30ª TMSR

Museu de S, Roque, Convento de S. Pedro de Alcântara, Igreja de S. Roque

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Na imprensa: TSF | Diário de Notícias

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Com este ciclo pretendi ir mais longe no campo da apreciação musical, ao evoluir em dois aspectos: acrescentar às sessões uma componente de concerto com a presença de orquestra e pensar o conceito de um ciclo em vez de sessões isoladas.

Assim, pela primeira vez tive o desafio de desenhar um programa com mais de 10 horas de conteúdo, entre apresentação e concerto, em que vários tópicos foram abordados com maior profundidade do que se estivessem em sessões isoladas. A sensação de que o público se fidelizou e acompanhou este périplo foi uma enorme satisfação, assim como a experiência de durante cinco semanas estar totalmente imerso em tópicos para mim apaixonantes.

A missão deste ciclo era complementar e melhorar a experiência do público que iria aos concertos da TMSR, razão pela qual foram oferecidos de forma gratuita, tendo estado sistematicamente esgotados. 

Cada sessão foi dedicada a um tema lato e diferente, que permitiria obter pistas e ferramentas para a interpretação de diferentes estilos ou questões na música.

A componente de concerto marcou decididamente a diferença neste ciclo, pois foi possível ao público, ao ouvir a música tocada ao vivo e sem interrupções, validar aquilo que acabara de aprender durante a minha intervenção oral.

Para complementar o momento da audição, criei para cada programa um um guia que servia como uma espécie de mapa a seguir durante a execução das obras, de forma a encaminhar a atenção dos ouvintes.

Guia de audição do encontro de 3 de outubro, dedicado às principais nações do barroco

O ciclo concluiu-se com o encontro que me deu mais prazer preparar e executar, dedicado ao papel da imaginação ao escutar música, incluindo alguma reflexão sobre o debate entre música absoluta e música programática. Nesta sessão cada pessoa recebeu ao entrar um lápis e um programa, onde se lia que este se devia manter fechado até indicação em contrário.

Após a minha exposição, procedeu-se a um exercício no qual o público tinha de ordenar as obras do programa de acordo com a ordem em que as iríamos tocar. Destas, todas eram obras de música programática, com diferentes graus de descrição e envolvimento extra-musical, à excepção do último andamento da Suite nº2 em Si menor de Bach, que é apenas uma velha dança rápida. 

Depois de tocarmos as seis obras, procedi ao levantamento dos resultados, verificando-se, para crescente satisfação geral, que a grande maioria das pessoas não falhara uma só escolha.

Programa de 23 de outubro, depois de preenchido correctamente por um dos membros do público

No decorrer destes encontros tive ainda, juntamente com o Ensemble MPMP, a oportunidade de proporcionar três primeiras audições em território nacional, de obras em que também fiz a transcrição a partir dos manuscritos:

a cantata Jesu komm, mein Trost und Lachen de Buxtehude, a Ouverture do Ballet de la Nuit de Jean-Baptiste Lully e a obra Carrelage Phonique, da série Musique d’ameublement de Erik Satie.

Igreja de S. Roque, outubro de 2018 | Arquivo MPMP