Autor

Não sou autor de muita coisa, mas sou desde há muitos anos um compositor à espera de sair do armário. No verão de 2006 apresentei um recital de piano na Academia de Música de Lagos para entreter a família e amigos. No programa, entre prelúdios disto e daquilo, estavam duas peças de Asous Seravat, que apresentei nas notas de programa como compositor checo discípulo de Smetana, de quem não sobrevivem muitas composições.

Ninguém reparou que Asous Seravat não é mais do que Sousa Tavares ao contrário, e foi apenas perante a insistência de um amigo da família mais melómano e interessado que confessei o meu crime passados uns dias.

Desde aí, na verdade nunca parei de escrever música, toda ela directamente para a gaveta, ou destruída passados uns anos.

Em 2019 chega pela primeira vez a oportunidade, não por mim procurada, de ouvir a minha música em público. Através do desafio que me foi feito há já algum tempo, de contribuir com música original para acompanhar récitas de O Bojador, escrevi música a partir desse texto para quarteto de cordas, com a intenção de, de forma simples, complementar a caracterização das situações e personagens.

A música que escrevi varia entre segmentos com alguns segundos a cenas com mais de seis minutos de seguida. A ideia é sempre a de enriquecer o texto.

Não estou a tentar alavancar uma carreira como compositor, pois sempre me interessou mais a música dos outros que já existe, mas confesso que o processo é muito estimulante e dá vontade de continuar.

Em 2018 os primeiros acordes que dirigi traziam na verdade algo de meu, pois o primeiro concerto do ano foi no âmbito do centenário da morte de António Fragoso, e a obra que abria o programa de concerto com o Ensemble MPMP em Cantanhede e Coimbra era uma orquestração minha do Nocturno para piano e violino de Fragoso, realizada a pedido do sobrinho do compositor, Eduardo Fragoso.

Primeiros compassos do Nocturno com a minha orquestração

Gravação ao vivo, janeiro de 2018

Sei que este tipo de solicitação irá acontecer de forma natural, e considero que a melhor escola de escrita é, e sempre foi, a leitura. Assim, enquanto não chegam mais convites, vou alegremente continuando a estudar partituras novas e revisitar as antigas.

Para além de escrever música, sou capaz de escrever umas palavras upon request. Podem-se ler textos da minha autoria ao visitar a Galeria da Biodiveridade durante o ano de 2019, ou então um artigo na Glosas, a propósito de Fragoso.

Custa-me incluir o capitulo co-assinado por mim no livro de Marcos Portugal, pois em boa verdade eu só fiz alguma, modesta, investigação. Mas aqui fica.

Carta à Europa

Publicado em La Lettre du Musicien

Um texto sobre o lugar da cultura na sociedade, e de qual pode ser esse lugar na Europa.

Texto em FR, PT, ENG.

A partir do verão de 2019 iniciei uma colaboração que será esporádica mas fiel com o Jornal do Fundão.

É uma honra e um prazer assinar textos neste jornal histórico, talvez o único a nível nacional a ter feito da cultura a sua espinha dorsal. Por aqui passaram Saramago, Lucas Pires, Eugénio de Andrade, Eduardo Lourenço, e o célebre e destemido episódio com o Luandino Vieira que lhes valeu sarilhos com a PIDE. São cá dos meus. 

O Jornal do Fundão serve ainda para lembrar que ser nacional e ser regional não são antíteses. Basta olhar para a imprensa alemã.